quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Eu sinto

Não te desesperes por mim,
Basta que me entendas de todo,
Não chores assim, enfim,
Não deves achar-nos de um modo cómodo,

Sou como um pó que vagueia, cintilante,
Buscando onde voar e onde pousar,
Me livrando de tudo e ficando distante,
Na procura de quem me faz delirar.

Num livre e pessoal Arbítrio
"Deixo me a passar" nesta vida sem agir,
Ficando fria num pensar aleatório,
Sem medo do que há-de vir.

No amor, na paixão que passa,
Sou consciente da minha busca,
Na dor que do meu querer ultrapassa,
E da verdade que me ofusca,

Não quero algo novo, já sei de cor,
o que muda é inicial olhar brilhante,
depois mantém o clima e odor,
como raios e chuva em clima eletrizante.


quarta-feira, 18 de dezembro de 2013


Não quero

Não quero que esse beijo me trave a respiração,
Não quero que o amor seja doce e indecente,
Que o teu olhar não tenha explicação,
E que o bom não dure eternamente,

Não quero....

Não quero que o meu baú seja colorido de lembranças,
E que a minha vida tenha banda sonora,
Não quero que a humanidade sofra com distâncias,
E que a paixão se vá embora,

Não quero que o fogo se apague,
E que as minhas mãos se queimem,
Que eu ande a correr em ziguezague,
Em pensamentos que me acalmem.

Não quero...

Não quero que estejas a olhar-me agora a franzir,
Que me doa o peito de tanto chorar
Não quero a sensação de que vá desistir,
E que a consciência me venha murmurar...

Não quero de todo sentir que sou a culpada,
E que o mundo seja assim tão complicado
Não quero que não seja capaz de mais nada,
E que o meu sentido não seja apurado.




quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Na lama da angústia, que suja a minha alma,
Num “se fosse” do passado que ainda perdura,
Numa estrada em que caminhas na minha calma,
E onde tens a chave desta complicada ranhura.

Mantens-te na perfeição sem falar, a olhar,
Encarando o melhor de mim, dou luz em troca,
Ficamos como de um lado da vitrine sem nos tocar,
Aperfeiçoando o meu querer e vontade oca.

O após conspira em vidraças no sentir que eu não quero,
Desejo o teu ombro nesta embaraçosa advocatura,
Se nunca fosse eu não sei, o antes é singelo,
Despeço me desta vontade com uma armadura.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Encontro com a realidade

Num amável encontro sombrio eu vejo,
Num delírio amigável amenizo o meu "eu"
Encontrando apenas o que eu desejo,
Evitando a realidade que a vida me deu.

Rastejando nos meus suores frios,
Encontro me ciente do que sempre me esperou,
Só nunca pensei em morrer de sede em rios,
E sobreviver na vida que sempre me afogou.

Fingindo entender o óbvio do meu presente,
Desespero em pensamentos, nicotina e pranto,
Admirando uma tal de luz reluzente, fundente,
Que  acalma o fundo do poço com encanto.



segunda-feira, 2 de dezembro de 2013




Pior do que querer escrever poesia para amenizar a dor, é querer escrever e não conseguír por algum possível bloqueio negativo que vem algures do universo especialmente para mim. Pior do que ser poeta antigo mas de qualquer modo iniciante, não quer dizer que o expressar seja básico, muito pelo contrário. Os verdadeiros poetas são aqueles que por palavras e expressões conseguem alcançar o mais real possível dos sentimentos, são aqueles que de um lado do seu coração conseguem encontrar conforto no escuro desde que sejam o seu próprio pilar na escrita. Os verdadeiros poetas são aqueles que estão sós e se sentem acompanhados pelas suas palavras e frases. Uma poeta como eu que nem sei se sou.... nem sei se me aceitam como tal, mas vive nesse mundo, e esse mundo apenas a mim me importa!!